agosto 11, 2013

Minha auto demissão

Para começar a dissertar sobre o que quero falar, primeiro existe um quesito a ser preenchido: Horas, dias, noites e, até mesmo, finais de semanas de pura ilusão.
Mas que ironia, fui alem disso, vivi meses. Então, sob minha concepção, tenho total autoridade sobre "o assunto".

A moça sempre se faz de doce, na expectativa de que quem prove, venha se apaixonar pelo sabor. Mas doce é só para ocasiões. Então ela percebeu que precisava mesmo era ser salgada, amargar e, então, antes de querer agradar o outro, ela tenha que se sentir agradada e suficiente para si mesma. Ela também tentava de todas as maneiras parecer politicamente correta. Nada de se desvirtuar. Conceitos e preceitos, tudo em seu devido lugar. Morava dentro de uma bolha de script, tudo milimétricamente redigido. Mas que ironia, todas as situações sempre saiam fora do seu roteiro. Pobre moça. Isso sempre lhe rendia indignação por nada sair como planejado. Porém, o que ela nunca entendia é que não existe como controlar o lado que a moeda vai cair, e o outro protagonista da história não se importa se ela esperava que ele desempenha-se um bom papel. 
E de parceiros em parceiros de cenas. Alguns repetidos, outros descartados e, até mesmo, contratados. Nenhum desempenhou um bom papel. No final o que restava eram curtas sem finais felizes, filmes sem sentidos e, uma meia duzia de roteiros jogados no lixo. E a moça não consegui entender porque nenhum daqueles abraços se encaixava com o seu. Sera que o problema estava com ela exigir de mais, ou eles se esforçarem de menos. Duvida.

Exigência ou não. Agora tanto faz. A pobre moça, diretora da própria vida, pediu as contas. Rasgou todos os roteiros, jogou  cenários fora e, de uma hora para outra, resolveu viver sem programação, expectativa, ou qualquer coisa que faça com que ela espere um bom desempenho de alguém. Agora ela só quer o seu próprio desempenho, seu próprio sorriso, e sem esperar que se sinta aquecida pelos braços de alguém. Já que agora suas próprias roupas lhe sevem, e ela não precisa mais pedir abrigo.

E talvez, hoje, depois de muitas tentativas, a moça esteja se tornando uma mulher, da qual só agora consiga entender que não adianta planejar ou escrever, a vida é que se encarrega de redigir as cenas. E apenas cabe a nós vivermos sentindo-se completos por si só, sem depender da fala de ninguém para completar uma cena, por que se a pessoa do outro lado errar, a gente não se frusta por não saber terminar a história. E então só assim, quando formos protagonistas por inteiro, sem amparo de ninguém, a vida nos conceda alguém que também se sinta assim e, se encaixe perfeitamente na cena. Sem erros, cortes ou repetições. Apenas algo natural, sem precisar de ensaios. Porque quem muito ensaia, não sabe a fala, apenas reproduz o que já fez muitas vezes, e não consegue entregar-se por inteiro.   

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